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Saúde do homem

SEDENTARISMO: FATOR DE RISCO PARA VÁRIAS DOENÇAS

Em 1992 a American Heart Association passou a considerar o sedentarismo como fator de risco importante para a doença arterial coronariana, entretanto nos últimos anos, através de inúmeros estudos científicos controlados, tem sido comprovada a relação entre o sedentarismo e diversas outras patologias. Para se ter uma idéia do problema, a inatividade física é responsável por 250.000 mortes anuais, somente nos Estados Unidos. Em relação ao aparelho digestivo, por exemplo, está bem estabelecido que o sedentarismo é um fator de risco para as colecistopatias, inclusive as que podem requerer colecistectomia. Isto foi demonstrado em vários trabalhos, incluindo os de Leitzmann que estudou o nível de aptidão física em 60.290 mulheres durante 10 anos e 45.813 homens durante 8 anos e observou maior incidência de colecistopatias nos indivíduos sedentários. A explicação para esse efeito protetor da atividade física (AF) seria a diminuição dos níveis na bile e no soro do ácido desoxicóli! co, cujo aumento encontrado nos sedentários é considerado fator de risco independente para esse tipo de patologia. Quanto ao aparelho cardiovascular, além do sedentarismo ser considerado um fator de risco importante para a doença arterial coronariana (DAC) , sabe-se que a AF regular pode melhorar o perfil lipídico diminuindo o colesterol total e aumentando o HDL-colesterol, fração protetora contra a DAC. Ultimamente, têm sido descritos efeitos favoráveis do exercício sobre a disfunção endotelial, substrato de patologias cardiovasculares como a DAC e a hipertensão arterial. Outro fato relevante diz respeito à associação entre o sedentarismo e o câncer. Inúmeros trabalhos têm demonstrado que mulheres sedentárias têm maior predisposição ao aparecimento de câncer de endométrio e mama (Journal of American Cancer Society setembro/200).Também tem sido demonstrado que o câncer de cólon, próstata e pâncreas possuem uma incidência maior nos fisicamente inativos. No que diz respeito ao! sistema endócrino, é indubitável a importância da AF regular não só na prevenção como, também, no tratamento do Diabetes tipo 2, seja através de exercícios vigorosos ou não vigorosos ( Meyers,E. Journal of American Medical Association-Março/1998 ). Nos diabéticos insulino-dependentes, a AF tem efeito positivo melhorando a eficácia da insulina. A associação entre o sedentarismo e a obesidade, também é inquestionável. Assim, o binômio dieta adequada e AF regular se constitui em importante arma no tratamento da obesidade.(First Federal Obesity Clinical Guidelines National Heart, Lung and Blood Institute, 17/06/1998). É importante salientar que prevenir e/ou tratar a obesidade significa interferir, ainda, nas diversas co-morbidades à ela associadas. Sobre o aparelho locomotor, a AF exerce efeito benéfico prevenindo a perda de massa óssea na osteoporose, particularmente nas mulheres pós-menopausa. No âmbito das doenças cérebro-degenerativas existem evidências de que o exercício r! egular pode prevenir ou auxiliar no tratamento da D.de Alzheimer("Archives of Neurology", março/2001) e D.de Parkinson . Poser e Ronthal recomendam que "pacientes com doenças cérebro-degenerativas como Parkinson, Alzheimer e Esclerose múltipla deveriam ser encorajados por seus médicos para praticarem algum tipo de AF que suas condições de saúde permitam". Prescrição do exercício Em primeiro lugar, deve ser feita uma avaliação médica prévia que, de acordo com a faixa etária, condições clínicas do paciente e tamanho da população a ser avaliada, pode variar desde a aplicação de questionários próprios (grandes grupos populacionais), passando por um exame clínico com eletrocardiograma de repouso, teste ergométrico ou até mesmo, uma ergoespirometria quando for o caso. Ao se prescrever o exercício devemos respeitar a preferência do indivíduo . De nada adianta recomendarmos natação para o quem detesta nadar ou corrida para aquele que detesta correr. Do ponto de vista prático, a caminhada parece ser uma ótima opção por ser fácil e barata, não necessitando de aparelhos caros ou sofisticados. Além da caminhada, o jogging, a natação e o ciclismo, atividades essencialmente aeróbicas, são excelentes exercícios. De acordo com o "Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte: "Atividade física e Saúde" a parte aeróbica do exercício deve ser ! feita, se possível, todos os dias, com duração mínima de 30 a 40 minutos.Exercícios de sobrecarga muscular e flexibilidade são mais importantes a partir dos 40 anos de idade e devem ser realizados pelo menos duas a três vezes por semana, contemplando os principais grupos musculares e articulações. O treinamento da flexibilidade deve envolver os principais movimentos realizados lentamente, até causarem ligeiro desconforto para, então, serem mantidos por cerca de 10 a 20 segundos, devendo ser praticados antes e/ou depois da parte aeróbica. Finalmente, gostaria de deixar uma mensagem importante e extremamente apropriada de Bachman e Grill de um artigo publicado em 1987 : "Quando os benefícios da atividade física são considerados, fica claro que prescrever atividade física é prescrever qualidade de vida" . Marcos Aurélio Brazão de Oliveira Especialista em Medicina do Esporte pela Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) e pela Associação Médica Brasileira Membro do Conselho Consultivo da SBME Diretor Científico da Soc. de Medicina Desportiva do RJ Mestrando em Cardiologia pela UFF Coordenador do Curso de Pós-graduação em Medicina do Esporte da Univ.Veiga de ALmeida - RJ

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